APCV

    Estatísticas Nacionais 2011 dos associados da apcv


    Contribuição da Cerveja para a Economia da União Europeia (relatório Ernest & Young, 2010)

    A produção de cerveja na União Europeia (UE) em 2010, comparativamenete a 2008, diminuiu 6% (cerca de 383 milhões de hectolitros), tendo o consumo, no mesmo período, diminuído 8% (para 343 milhões de hectolitros).

    O decréscimo da produção e do consumo de cerveja nos últimos dois anos resultou numa menor contribuição para a economia da UE. Nestes últimos dois anos perderam-se cerca de 260.000 empregos, diretos e indiretos; o que representa uma redução de 12%, em relação a 2008. No mesmo período, o emprego total na UE diminuiu 2%. O contínuo decréscimo do consumo de cerveja é o fator que justifica a diminuição do impacto do setor cervejeiro na economia da UE. Isto não é motivado apenas pelo atual contexto económico, mas também por quatro tendências identificadas na indústria da cerveja:

    _Diminuição do consumo percapita; esta tendência que começou há vários anos e é previsto que assim continue;

    _Os consumidores estão a comprar menos marcas premium de cerveja;

    _Aumento progressivo da cerveja consumida em casa, em detrimento do consumo em bares e restaurantes, o que representa menor valor acrescentado bem como menor valor de impostos somado na UE.

    _O aumento da carga fiscal, especialmente dos impostos sobre o consumo também motiva esta tendência. Impostos mais altos sobre a cerveja levam a preços mais elevados e também à redução do consumo de cerveja, sobretudo no setor da hotelaria, reforçando, por outro lado, a tendência para o consumo de cerveja em casa.

    O setor cervejeiro também enfrenta outras pressões, incluindo os aumentos nos preços das matérias-primas. No período 2009-2010 o valor acrescentado para as cervejeiras diminuiu numa percentagem maior do que o valor das matérias-primas utilizadas na produção da cerveja, devido ao aumento da concorrência e às menores margens para as empresas cervejeiras.

     

    DADOS ECONÓMICOS EM PORTUGAL

    Estrutura do Mercado, características e desenvolvimento

    Exportação

    Em 2010, Portugal exportou 2.5 milhões de hectolitros de cerveja. Os principais mercados importadores da cerveja portuguesa são africanos, principalmente Angola.

    Importação

    Aproximadamente 3% da cerveja vendida em Portugal é importada. Em 2010, esta percentagem é representada por um volume de 180 mil hectolitros.

    Consumo

    O consumo médio percapita diminuiu de 61 litros, em 2007, para 59 litros, em 2010. O maior canal de consumo é o canal horeca, nomeadamente, em bares e restaurantes.

    Investimento

    Em 2010, os cervejeiros portugueses investiram mais em media, comunicação e marketing, reforçando o investimento na exposição das suas marcas. Por outro lado, verificou-se um menor investimento em equipamento, maquinaria e outros custos fixos, devido ao objetivo global de promover programas de produção mais eficientes.

    Impostos

    Nos anos mais recentes, a economia portuguesa foi alvo de várias alterações no plano fiscal. O IVA evoluiu de 17% em 2006, para 20% em 2008 e, em 2010, atinge os 21%. Esperam-se novas actualizações ao IVA (entretanto actualizado para 23%), sendo que os impostos aplicáveis ao nível da proteção ambiental também aumentaram em 35%.

    Distribuição e Canal Alimentar

    Em 2010 verificou-se uma maior penetração das marcas da distribuição, fruto das dificuldades económicas que caracterizaram o País durante este ano. No entanto, o mercado das cervejas ainda mostra alguma resistência às marcas da distribuição, quando comparado com outros artigos de grande consumo. Internamente, o mercado das cervejas diminuiu, principalmente, nos últimos trimestres de 2010, enquanto as exportações aumentaram neste mesmo período. Também neste período a venda de garrafas de 20cl aumentou face à própria “mini” e à cerveja de barril.

    Embalagens

    Verifica-se uma maior apetência por vasilhame unitário de menor volumetria, o que resultou num maior custo das cervejeiras com as embalagens de vidro, nomeadamente, garrafas.

    Matérias-primas

    O preço das matérias-primas aumentou significativamente nos últimos anos, fruto do aumento de preços verificado também na produção, o que provocou uma maior pressão nas margens das cervejeiras. As maiores ameaças que se esperam no setor cervejeiro, para os próximos anos são:

    _diminuição do consumo

    _aumento dos impostos

    _diminuição do mercado

    _aumentos dos preços na produção (aumento dos custos dos bens vendidos e das matérias primas)

    _marcas da distribuição

    Impacto directo da indústria cervejeira na economia nacional

    As empresas cervejeiras portuguesas envolvem cerca de 3.200 postos de trabalho que produzem 8.3 milhões de hectolitros de cerveja, o que representa 478 milhões de euros em valor de mercado.

    Como verificado, o valor da produção de cerveja nacional, em 2010, foi de 478 milhões de euros, o que representa 49% dos resultados totais do setor, no que respeita a valor acrescentado (valor acrescentado = recompensa pelos processos de produção utilizados: custos, juros pagos e lucros obtidos).

    Efeitos indirectos do setor cervejeiro na economia nacional

    Com 49% do valor de output produzido a permanecer no setor cervejeiro português como valor acrescentado, os outros 51% dos 2,3 mil milhões de euros do volume de negócios reverte para um número determinado de fornecedores. Este valor de 246 milhões de euros tem um impacto económico significativo nos setores fora do cervejeiro, principalmente no da agricultura. Este elevado impacto na agricultura deve-se ao resultado relativamente baixo por empregado, em comparação com outros setores.

    Os fornecedores que mais beneficiam da produção de cerveja são os meios de comunicação, os canais de comercialização e, ainda, a indústria de embalagens. O efeito direto total da criação de emprego do setor cervejeiro é estimado em cerca de 2.800 pessoas, em 2010, o que pode representar cerca de 65% do impacto total, ou seja, quase 4.400 postos de trabalho.

    Efeitos indiretos no emprego ilustrados abaixo:

    Efeitos induzidos do setor cervejeiro

    Canal Horeca

    O impacto económico das fábricas de cerveja no canal horeca é avaliado como segue:

    _69% da cerveja consumida em Portugal é vendida no canal horeca (hotéis, restaurantes e cafés), o que representa 4.1 milhões de hectolitros.

    _O preço médio da cerveja consumida pelos portugueses, em bares e restaurantes, é de 6,6 euros por litro (IVA incluído), o que representa 2,7 mil milhões de euros (IVA incluído) de valor para o canal.

    _Os custos com o consumidor de cerveja são estimados em 2,2 mil milhões de euros (usando uma taxa de IVA a 21%)

    _Com um volume de negócios médio de 33.694 euros (excluindo o IVA) por pessoa, para o canal horeca, isto resulta em 65.900 postos de trabalho atribuíveis às vendas de cerveja.

    Canal Alimentar

    A importância do setor cervejeiro para o canal alimentar (consumo dentro de casa) pode ser avaliada da mesma forma: _31% do consumo de cerveja total (1,8 milhões de hectolitros) em Portugal é vendida em grandes ou médias superfícies.

    _Com um preço de consumidor médio de 1,7 euros por litro (com IVA), os custos totais com os consumidores de cerveja, no canal alimentar, é estimado em 315 milhões de euros.

    _O total de custos com os consumidores, IVA excluído, é de 260 milhões de euros.

    _Com o volume de negócios por trabalhador estimado em 165.800 euros (excluindo o IVA), significa que o canal horeca representa 1.600 postos de trabalho.

    Criação de emprego total associada ao setor cervejeiro

    Em 2010, aproximadamente 3.200 pessoas trabalhavam em fábricas portuguesas. Um adicional de 4.400 empregos nos fornecedores do setor. Cerca de 65.900 postos de trabalho resultam da comercialização no canal horeca e 1.600 da venda de cerveja no alimentar. Assim, no total, a indústria cervejeira representa 75.000 postos de trabalho (diretos e indiretos).

    Total do valor acrescentado devido à cerveja

    A contribuição do setor cervejeiro para a economia nacional também pode ser expressa em termos de valor acrescentado. O valor total gerado pelos 75.000 postos de trabalho criados pelo setor cervejeiro representa um volume de 1,1 mil milhões de euros.

    Impostos pagos ao Estado

    Os impostos pagos ao Estado, em 2010, entre contribuições de IVA, taxas associadas à produção e impostos sobre o consumo, somam 1102 milhões de euros:

    _IVA, cerca de 521 milhões de euros, a maioria gerada no canal horeca.

    _Imposto especial sobre o consumo total de cerveja, 76 mil milhões de euros.

    _Receitas relacionadas com rendimentos associados à produção de cerveja e vendas, 487 milhões de euros (que incluem impostos sobre resultados no valor de 109 milhões de euros, contribuições para a segurança social no valor de 117 milhões de euros, pagos pelos empregados, e encargos com a segurança social no valor de 261 milhões de euros, relativos aos impostos pagos pelos empregadores sobre os salários dos trabalhadores