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    Confraria da Cerveja e os seus símbolos



    As confrarias remontam à Idade Média, época em que os mestres de cada ofício (mester) se organizavam nas chamadas irmandades mesteirais. É, pois, nessa época que surgem as primeiras confrarias de mestres cervejeiros. No símbolo da Confraria da Cerveja valorizam-se os elementos associados à produção desta bebida – as alfaias, o tanque de madeira (onde em tempos idos se produzia cerveja), o lúpulo e a cevada.

    O traje dos Confrades é constituído por uma capa, um chapéu e uma fita com a medalha da Confraria. A Capa é semelhante às utilizadas pelas outras Confrarias, sendo o dourado e o verde as cores escolhidas: a cor dourada simboliza a cerveja e o sol que brilha nos campos pintados de verde igual ao debruado da capa, de onde brotam o lúpulo e a cevada, matéria primas que conferem um carácter único à cerveja. O Chapéu é também inspirado nos que eram usados pelos Confrades na Idade Média, mas com uma forma alinhada que lembra as cápsulas utilizadas nas garrafas de cerveja. Na fita verde pende a medalha com o símbolo da Confraria e nela estão gravados a categoria e grau do Confrade.

    A criação das Confrarias remonta à Idade Média, tendo nascido como irmandades mesteirais e, como tal, com os respetivos Santos Patronos. No caso da Confraria da Cerveja, foi escolhido São Jorge para seu Patrono. Uma série de registos e curiosidades ligam São Jorge à Confraria da Cerveja: o grito por São Jorge era usado pelos portugueses na guerra, ainda no tempo de D. Fernando na luta com Castela; Santo com características dos apreciadores de cerveja - forte, jovial e vigoroso -, São Jorge foi também o único Santo que deu origem ao nome de uma cerveja em Portugal, com a particularidade de ter sido uma marca transversal às empresas que deram origem aos principais grupos cervejeiros atuais. O dia 23 de Abril, dia de São Jorge, assinalava habitualmente o fim do período em que era possível a produção de cerveja, dado a aproximação da época de calor.

    São Jorge

    A existência de um patrono remonta às origens medievais das confrarias como irmandades de mesteirais, numa época de intensa religiosidade em que permanentemente se invocavam santos para encontrar o conforto e a força necessários para ultrapassar as dificuldades da vida terrena. Daqui resultou que todos os ofícios tinham o seu santo protetor, seguindo-se hoje a tradição com toda a naturalidade. No caso dos cervejeiros, existem vários santos que são invocados por diversas confrarias (associações) espalhadas por toda a Europa. Assim, Santa Brígida ou São Augustine de Hippo por serem bons consumidores estão associados a algumas confrarias; São Arnold de Metz, Arnold de Soisson e Arnold de Ourdenaarde estão ligados a milagres praticados através da cerveja; Santa Hildegarde von Bingen, é patrono por ter deixado inúmeros escritos sobre a cerveja, São Venceslau e São Jorge, por sua vez, têm imagens associadas e dedicadas a países ou regiões. Há ainda casos de santos tornados patronos por terem convertido infiéis através da cerveja. Em Portugal a Confraria da Cerveja escolheu como seu santo patrono São Jorge.

    Razões da escolha de S. Jorge São Jorge está ligado, desde tempo imemoriais, à História de Portugal, existindo diversas festas, igrejas e toponímicas a ele dedicadas. Por exemplo, o grito “por São Jorge” era usado na Guerra pelos portugueses desde o tempo de D. Fernando na luta com Castela. Foi também a este Santo que o Condestável recorreu na batalha de Aljubarrota, tendo edificado mais tarde uma ermida no local onde esteve içada a bandeira portuguesa durante os combates. Também na história da cerveja em Portugal encontramos referências a S. Jorge, santo que reúne várias características da cerveja, como a força, o vigor e a jovialidade. São Jorge é um santo da Idade Média, época em que a cerveja atingiu o seu apogeu pela confiança que dava como sendo uma bebida intrinsecamente sã. Já bastante depois disso, quando a cerveja deixou de ser produzida artesanalmente e passou à produção industrial, a imagem deste santo foi impressa em diferentes rótulos de cerveja e o nome S. Jorge deu origem a uma marca de cerveja em Portugal, com a particularidade de ter sido uma marca transversal às empresas que deram origem aos principais grupos cervejeiros atuais.

    Além disso, 23 de Abril, data em que se comemora o dia de S. Jorge, marcava habitualmente o fim do período anual de produção de cerveja. O dragão que aparece numa das lendas ligadas a S. Jorge, apesar de simbolizar o mal na Idade Média, é também um dos animais presentes no horóscopo chinês, onde simboliza o poder. Dá-se a coincidência de 1964, o ano que arrancou a principal fábrica de um fabricante de cerveja inteiramente erigida sobre projeto de técnicos e engenheiros portugueses, ter sido o ano do dragão. A título de curiosidade, é ainda de registar um outro ilustre Jorge que, antes de ter sido o primeiro presidente do país mais poderoso do mundo, foi um emérito cervejeiro -George Washington.